BEBIDA NA COPA
O acontecimento da Copa do Mundo de Futebol no Brasil vem
gerando discussão não só no âmbito esportivo, mas no político, econômico e
social. Inclusive, essa polêmica vem desde a candidatura brasileira para país
sede da Copa e o mesmo acontece com as Olimpíadas. Os entusiastas enaltecem as
benesses de sediar um evento mundial como a visibilidade nos noticiários
internacionais, maior movimentação no comércio e rede hoteleira. Já os
oposicionistas alegam a precária infraestrutura do país, os gastos bilionários
em arenas esportivas. O fato é que ao
vencer a disputa, o governo brasileiro assumiu diversas responsabilidades junto
aos organizadores e alguns detalhes começam a custar caro para o governo
petista. A aprovação do projeto da Lei Geral da Copa seria uma
vitória fácil para o governo, não fosse o detalhe do consumo de bebida
alcoólica nos estádios durante os jogos da competição. Não seria tão difícil
convencer a base aliada dos interesses na aprovação do projeto se não fosse um
detalhe. O detalhe da crise institucional do governo Dilma. (Mais sobre a crise
do governo, leia Se a casa não cair…) Detalhe, porque segundo o
secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, “as coisas
estão numa dinâmica muito normal”. O que vem acalorando as discussões acerca da aprovação, ou
não, do consumo de bebidas nos estádios não é a preocupação com a segurança, a
legalidade da concessão em virtude do estatuto do torcedor, nem a forma de
tratamento concedido aos turistas. O fator que esquentou o plenário é a
“revolta” da base aliada, buscando assim, demonstrar sua força, seu poder.
Afinal, são evidentes os benefícios da aprovação do consumo nos jogos da copa:
maior faturamento, além do conforto e comodidade aos torcedores. A preocupação
exagerada com a violência deve ser acalmada, visto que o perfil do público
esperado na Copa do Mundo é diferente dos habituais frequentadores de estádios
brasileiros. A crise continua até quando? Caso a presidenta Dilma Rousseff continue com a postura de
treinadora turrona, a queda de braço entre o Executivo e Legislativo federal
pode se estender até o fim do governo. Para que isso não aconteça, a comandante
terá que apostar mais no jogo de cintura, ser mais habilidosa e destravar o
meio campo congestionado pelo aglomero de partidos – como aconselhado na semana
anterior. O que não pode é minimizar a celeuma como fez secretário-geral da
presidência. Para isso, Dilma já cogita
trocar uma peça crucial em seu esquema tático. A ministra de Relações
Institucionais, Ideli Salvati, pode perder o cargo e dar lugar a um nome mais
próximo do PMDB e demais partidos da base aliada. O que favorece ao endurecimento de Dilma Rousseff é a
crescente aprovação de seu governo junto à opinião pública. A população em
geral vê como bom olhos a demissão imediata de ministros envolvidos em
escândalos e associa a presidenta com o combate aos corruptos. O problema é que
não sabemos até onde o Congresso está desmoralizado e como pode influenciar na
aprovação de Dilma e quanto tempo esse processo de desgaste levaria. A verdade
é que alguns líderes partidários já sentem falta do ex-presidente Lula.
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